quinta-feira, 2 de agosto de 2012

The strawberry and the sugar cane.

         O carro trafegava pelas lentas ruas de Manhattan. Embora o trânsito aqui piorasse  consideravelmente no inverno os semáforos favoreciam a passagem de seu jaguar vermelho que se destacava contra a neve que caiu na noite anterior. Seu fiel Mohamed dirigia o sedam automático (mesmo com um braço na tipóia) e em pouco tempo chegaram ao seu destino. O bistro era o point dos feiticeiros da cidade, não gostava de lidar com outros magos nem de se meter com seus assuntos, mas naquela noite ela precisava. Quando o carro parou o motorista abriu a porta com seu braço bom e ela saíu com seu sobretudo de couro vermelho forrado com pele de urso polar, um escândalo com os ambientalistas. Usava várias jóias de rubi pelo corpo: uma gargantilha com uma pedra de mais ou menos 4 cm, seus brincos, pulseira e anel completavam o conjunto. Se  fossem jóias de verdade valeriam mais de um milhão, mas aquelas eram especiais. Foram feitas com mana, o combustível mágico para seus feitiços mais poderosos.
       A fachada era discreta e a decoração era muito "clean" para seu gosto, gostava de coisas mais suntuosas. Quando entrou a recepcionista logo foi falar com ela e pegar o seu casaco. Era uma menina morena, uns 22 anos no máximo. Linda. Olhos azuis da cor do mar, certamente escolhida a dedo no sofá pelo demônio.

        - Senhora Ashanti, a senhora não fez reserva... Me desculpe, mas estamos com a casa cheia esta noite...
        - Olhe de novo, menina, e vai perceber que está errada.

          Neste momento outra recepcionista chegou e falou algo no ouvido da colega. Essa tinha o nariz meio torto e as mamas bem fláscidas, aparentava ter alguma inteligência, certamente não foi escolhida pelo demônio. Foi então que a morena resolveu falar:

           - Desculpe a demora, a senhorita Paige já está de saída e a mesa VIP vai ser preparada para a senhora em um instante. Sem falar nada Ashanti sentou-se na área de espera junto ao bar.

          - O que vai beber senhora?
          - Quero aquele drink brasileiro que faz tanto sucesso por aqui.
          - Limão?
          - Não, morango. Com aquele aguardente que seu chefe toma aos montes, não suporto vodika. Bastante açúcar.
          - Sim senhora.

           Muito de seus colegas despertos estavam ali naquela noite, especialmente os membros da cabala que possuía o lugar. Nunca se interessou muito por eles e, a pesar do acontecimentos recentes, só conhecia alguns. O mais famoso era sem dúvida o demônio. Jovem, bonito,tão rico quanto ela, mesma senda e ordem. Fariam um casal perfeito se ele não fosse o maior canalha que ela já conheceu, não conseguia manter aquele negocinho dele dentro das calças, se achava superior a todos e se dizia o líder dessa cabala. Pobre diabo, no fundo era só mais um peão e ainda  achava que estava mandando.
            Outro membro de destaque era a bela silvícola. Nativa do Peru ou da Bolívia essa jovem contrariou as probabilidades e nasceu bonita. Sua aparência inocente escondia sua vocação: juiz e juri dos assuntos mágicos. Se fosse mais inteligente dominaria rapidamente seus colegas. Ou seria esse o jogo dela? Se fingir de ignorante? Esperava nunca descobrir.
           No entanto aquele que mais chamava sua atenção era o bombeiro. Que homem. Pena que ele não estava ali agora. Enquanto imaginava o que faria com ele e com a recepcionista morena em sua cama, a bebida chegou. Estava deliciosa, como de costume. Pensava seriamente em contratar esse barman. Logo logo a recepcionista a chamou:

      - Sua mesa está pronta, senhora Ashanti.

       Sem dizer nada a bruxa levantou e acompanhou a menina. A mesa VIP ficava em um local mais reservado, no andar de cima, onde podia ver o movimento dos frequentadores sem ser incomodada. O garçom trouxe a bebida que  fora servida no bar e lhe entregou o menu. Ele tinha o cheiro daquele aguardente usado em seu drink; nem seu pai alcoólatra cheirava tão forte de bebida. Foi então que ela percebeu de quem se tratava.
       O homem a sua frente era velho, feio, magro e se vestia com um terno branco encardido. Era o verdadeiro líder da cabala mais famosa da cidade.

      - Não vai sentar-se, a casa é sua.  O velho sentou-se e não disse nada
      - Gostei do seu perfume, lembra minha infância.
      - Sabe, não acho que você veio aqui para falar-mos de mim, não é Ashanti?
      - Verdade. Meu contato no GV disse que só você poderia me ajudar.
      - Talvez. O que você quer?
      - Isso você sabe muito bem, aquela incompetente que diz trabalhar para mim me espiona há anos. Aposto que ela te contou até a cor da minha calcinha.
     - É vermelha, mas não preciso de uma espiã para saber isso.
     - Acho que não. Mas então, voltando ao nosso assunto...
     - Sim eu sei onde pode encontrar o vampiro. Ele veio de Moscou e está controlando a sua enteada.
     - Que novidade, aquela pirralha descuidada que já provou todo lixo que um traficante pode fornecer finalmente encontrou o barato supremo: vitae.
     - Sim. E ela agora quer te botar na cadeia de vez por causa daquele pequeno infortúnio com o pai dela. Ela acha que você tem alguma coisa haver com isso, não é um absurdo?
     - Claro que é. Foi a sua ordem que investigou o caso e nada foi provado. Sou inocente, mas não vou deixar aquela fedelha entregar meus milhões na mão de um vampiro esperto. Onde ele está?
    - Você sabe que tudo tem um preço, não sabe?
    - Sério? Eu vim aqui confiando na bondade do seu coração.
    - Preciso de duas moedas de ouro.
    - Sabe que minhas especialidades são diamantes e rubis; verdadeiros ou de mana, mas eu posso conseguir facilmente. Não pensei que você se interessasse por ouro. E por que só duas?
   - Isso já não é da sua conta. O importante é que você mesma cunhe as moedas e que elas tenham a ressonância de vida. Meu colega Mark vai entrar em contato e te dar os detalhes. Ninguém pode saber de nada. Pode fazer isso?
   - Claro. Agora onde está o vampiro?
   - Muito bem, vou te falar, mas o que quer que aconteça com ele a responsabilidade é sua, não tive nada haver com isso. Se chamar muita atenção não vou poder segurar o GV, estamos de acordo?
  - Sim.
  - Ótimo, agora escute com atenção...


2 comentários:

  1. 4 Vampiros em Nova York! Esta cidade stá virando um puteiro!

    ResponderExcluir
  2. Vampiros? Vampiros? Nada como um Fireman para resolver este problema...

    ResponderExcluir