Do alto de sua torre a bruxa podia ver toda a Ilha de Manhattan. O sol acabava de nascer. O Central Park ficava a seus pés. Ela gostava das coisas aos seus pés, especialmente os homens. Sua lingerie vermelha não protegia seu corpo do vento gélido que vinha da janela que ela acabara de abrir. Gostava do frio e quando parou de sentir seu nariz, fechou a janela. Duas batidas em sua porta. Seu fiel Mohamed diz:
- Senhora, a estilista está lhe aguardando no outro quarto.
Do jeito que estava a bruxa passou por Mohamed e foi em direção ao quarto de 50 metros quadrados que lhe servia de closet. Ao passar fingiu não reparar os olhares gulosos do seu guarda-costas pelo seu corpo escultural. Já estava acostumada e fazia parte do encanto que ela exercia e que o dominava. Ao chegar a estilista já lhe aguardava há um bom tempo.
- Podemos começar - disse sem emoção.
A mulher tomou suas medidas e mostrou suas idéias em um caderno de desenhos. Ashanti só usava roupas exclusivas da mais alta costura. Essa nova estilista estava em ascensão e gostava de usar novas tendências. Ao olhar os modelos notava que alguns não atendiam suas exigências.
- Por que não há vermelho nestes aqui?
- Vermelho não combina com essa estação, com as reviravoltas da moda você vai parecer super out com essa cor.
- Essa é a primeira vez que você vem aqui e para que não seja a última é preciso que entenda uma coisa: eu uso o que está na moda, eu faço a moda. Meus modelos são copiados por celebridades e não o contrário.
- Eu só visto roupas que tenham pelo menos algum detalhe vermelho.
- Sim, senhora.
- Ótimo.
Neste momento alguém abre a porta sem bater. Era Izabella, uma herança indesejada de seu último marido
- Oi "mãe".
- Você, seu trabalho aqui acabou. Volte com os novos modelos semana-que-vem.
- Olá Izabella. Veio me ameaçar outra vez?
- Dessa vez eu tenho um mandado para a exumação do corpo do piloto, sua bruxa!
- Sério, que juiz foi maluco de aceitar aquele laudo fajuto? Você sabe muito bem que seu pai morreu em um acidente com o helicóptero.
- Dr. Dimitri discorda!
- Esses peritos independentes se fossem bons mesmos trabalhariam no FBI e não para garotas paranóicas como você que tem dificuldade de aceitar a realidade.
- Minta o quanto quiser, vadia, quero ver você rir quando eu provar que o piloto não teve um simples derrame.
- Vejo que nem aquele colégio na Suíça te trouxe alguma inteligência, com certeza nenhuma educação, baseado nesse linguajar. Se eu tivesse envenenado o piloto ou coisa assim, o exame toxicológico feito durante a autópsia teria revelado alguma coisa, não?
- Talvez, mas Dr Dimitri diz que uma nova droga usada pelo serviço secreto de Israel ou manipulação psíquica poderiam ter feito o estrago.
- Manipulação psíquica, kkkk, de onde você tirou esse agora? Roteirista de filme B?
- Não ele trabalhou na KGB! Sabe tudo dessas coisa.
- Ok, boa sorte. Só uma coisa me intriga, se eu fosse uma assassina, como você diz, eu não poderia simplesmente usar esse veneno ou psiquismo em você e acabar com todo esse estorvo?
- Você se acha muito poderosa, mas eu agora tenho um amigo me protegendo. Ele é mais forte que esse seu Iraquiano aí.
- Ele é afegão e não iraquiano, querida e mesmo se o seu namoradinho fosse mais forte que o Mohamed, dificilmente ele conseguiria se esquivar das balas.
- Ele é muito mais que meu namorado, e ele pode fazer muito mais mais que escapar das balas desse aí. Ele me ama muito, é tudo para mim e quando você estiver apodrecendo atrás das grades eu vou poder pegar meu dinheiro de volta e viverei com ele para sempre!
- Só nos seus sonhos, querida. Mohamed, por favor acompanhe a jovem Izabella para fora da minha casa, pois tenho assuntos mais importantes para resolver hoje.
- Por aqui senhorita.
- Tire suas mãos de mim, seu terrorista maldito!
- Não me obrigue a... Arrgh!
Nesse momento a bruxa sentiu uma breve tonteira quando a menina de 19 anos e 50 kg deslocou o ombro do seu segurança treinado nos campos da Al-Quaeda. Algum fenômeno sobrenatural foi responsável por isso. Ela imediatamente ligou seus sentidos especiais e pôde constatar manchas pálidas na aura da menina. Antes que Mohamed pudesse se levantar e puxar a arma ela o deteve:
- Tem tomado o que ultimamente? Essa força toda me parece incomum para uma menina do seu tamanho.
- De onde veio isso tem muito mais e só não te quebro agora porque quero ver você pagar pelo que fez com a minha família, vadia!
Quando a garota saiu batendo a porta, Mohamed se levantou com dificuldade:
- Quer que eu vá atrás dela, Ashanti?
- Para quê? Quer que ela te quebre outro osso?
- Não sei como isso foi possível, eu...
- Você vai procurar um médico e me deixar cuidar disso. Vá!
Quando o homem saíu, Ashanti estava furiosa. Aquela garota sempre a irritou, só não acabou com ela antes porque os guardiões estavam de olho, mas essa história de amor eterno e força demais só podiam significar uma coisa: o sangue-suga estava de volta. Hora de lidar com ele pela última vez.
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